Em maio de 2009 minha banda (é amigos tenho uma banda) comemorou 15 anos de existência. Iniciamos na faculdade, como um projeto para nos deixar fora das salas de aula. Sim, nós matávamos aula. A banda reuniu inicialmente 3 malucos, que se juntaram a mais 2 e formaram a mais antiga banda brega que já se teve notícia neste país. Tocamos durante anos, e com muito afinco, os mais belos clássicos do brega brasileiro. Confesso que encontramos alguns internacionais, mas não tinham tanto apelo com o nosso público, formado por familiares, amigos e funcionários que tinham medo de perder seus empregos. Por este motivo nossos shows sempre atingiam a incrível marca de 30 espectadores.
Ocasiões muito especiais faziam o número crescer, então só fazíamos show nessas circunstâncias. A banda cresceu, comprou equipamentos e, de repente, tinha um público maior.
Em 2009, para comemorar os 15 anos, decidimos fazer um grande show. Algo para 2.000 pessoas. Se não as conhecêssemos, poderíamos contratar o público. Isso soou estranho, porque quem geralmente é contratada é a banda.
Em dezembro de 2008 começaram os preparativos. Fui procurar uma casa de show. Escolhemos o Citibank Hall, casa que nos acolheu com muito profissionalismo. Escolhemos uma organizadora, a Gisele Reder, que foi essencial para que o evento ocorresse sem nenhum ataque cardíaco dos integrantes. Fomos atrás de patrocínios. Várias empresas nos apoiaram, acreditando fielmente nas minhas lindas palavras e promessas de um grande espetáculo. Ensaiamos um repertório de casa grande. Clássicos como Sérgio Malandro, Dominó, Menudo e Xuxa entraram. Sidney Magal e Wando foram atrações à parte. Enfim, tudo corria bem.
No dia do show, 2.000 pessoas aplaudiam a entrada da banda. Nunca vi tanta gente gritando meu nome. Meus amigos entraram antes no palco, a entrada começava sem mim, eu era o último a entrar, meus amigos consideravam que se 50% da população ali presente era de minha base de dados, precisava entrar por último. Sentado no camarim com minha guitarra pendurada no pescoço, batendo os pés no chão de nervosismo, e vendo um corinthians e fluminense na televisão daquela linda sala ouvi alguém batendo na porta. Abro e sai um jovem olhando pra mim como se eu fosse um astro. Vejo atrás dele as luzes do palco piscando e meus amigos no palco, já na entrada da música me aguardando. As pessoas gritando e pulando. O som, alto como deveria ser. A magia quase é quebrada, mas aumenta com a voz do jovem dizendo:
- Sr. Alberto, é sua vez, sua guitarra já está ligada.
Saindo da frente e dando espaço para que eu subisse a pequena escada que levava ao palco, pensei: não há nada neste mundo como um sonho realizado. Pequeno ou grande, precisa de disciplina, de atenção, gente que sonhe junto. Precisa de luzes, som e platéia. O arrepio é seu, só seu. Depois disso é só ligar sua guitarra e arrepiar.


